Pôr do Sol no Alentejo

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sexta-feira, 24 de abril de 2015


Uma voz e um poema inesquecíveis!
Todos nós temos amigos, temos músicas, temos livros, temos poemas… Manifestações únicas e inesquecíveis que entraram na nossa vida e por cá ficaram e que de vez em quando nos afloram. 

segunda-feira, 20 de abril de 2015



"A culpa é do povo português!" «Enquanto o povo não der um coice violento neste estado de coisas, eles vão continuar a abusar»

Sempre admirei Marinho Pinto pela sua frontalidade e pelas suas respostas rápidas e espontâneas. É uma pessoa com visão da realidade nacional, que diz o que pensa sem se importar se isso agrada ou não a quem ouve.
Para mim é uma pessoa infinitamente superior a qualquer um dos líderes dos principais partidos que compõem o panorama político nacional.
Fez muito bem em criar um partido: novas ideias, novos conceitos, outros caminhos, uma outra visão!
Estou com ele e espero que o povo português lhe preste atenção, uma pessoa com Marinho Pinto faz muita falta à democracia. 

terça-feira, 14 de abril de 2015

Como habitualmente abro a loja às nove horas, depois fico na expectativa, quem será que entra primeiro? Um cliente ou a dona Antónia? Quase sempre é a dona Antónia a primeira pessoa a entrar na loja e pela enésima vez vou ter de ouvir a mesma conversa de sempre! Enquanto ela lá está quase ninguém entra!  Estou farto, um dia destes dou-lhe uma má resposta para ver se ela se ofende e desaparece. Só não o fiz ainda porque tenho pena dela. É uma pessoa que sofre terrivelmente de solidão, devido ao seu horrível feitio! As pessoas fogem dela como o diabo foge da cruz!

sábado, 4 de abril de 2015

Já passaram alguns dias desde que o meu tio partiu…
Quando gostamos muito de uma pessoa sentimos a sua morte como uma perda tremenda, uma sensação de injustiça, uma raiva contra o destino, um não querer aceitar o que não pode ser mudado. Por fim, resignamo-nos à dor da perda do nosso ente querido. Passados uns dias instala-se em nós uma grande saudade que penso que se vai atenuando ao longo dos anos. Porém, jamais sessará.
O meu tio tinha 75 anos e nos dias de hoje uma pessoa com essa idade, ainda tem muito para viver.
Sempre foi um gentleman, bem-parecido, simpático, bem-falante e amável.
 Quando era solteiro as mulheres não o largavam e em casado também não!

sexta-feira, 27 de março de 2015



A meio da noite Manuel acordou com uns barulhos estranhos, levantou-se e muito receosamente dirigiu-se para o local do murmúrio, a lua cheia, iluminava totalmente o quarto com uma luz diáfana.
Uma dezena de estranhas criaturas estavam reunidas num dos cantos do quarto: eram todos diferentes uns dos outros, uns usavam chapéu, outros não e todos eles vestiam uma espécie de camisa de dormir, não tinham rosto, nem mãos, nem pernas, apenas se via roupa moldada por um corpo inexistente.
Os primeiros momentos de pavor de Manuel foram substituídos por uma corajosa reacção! Tinha lido num livro há muito tempo atrás, que os fantasmas eram só ar e dessa forma era-lhes impossível causar qualquer dano físico a quem quer que fosse. Também tinha lido no mesmo livro que para os afastar bastava lançar sal sobre eles.
Manuel correu à cozinha e afortunadamente o saleiro estava cheio de sal! Pegou no saleiro, dirigiu-se ao quarto onde estavam os fantasmas e lançou-lhes sal para cima. Muitos desfizeram-se logo ali e os outros fugiram apavoradamente. Manuel viu que dominava bem a situação e resolveu acabar com todos os fantasmas, por isso decidiu dar-lhes caça.
Procurou primeiro nas divisões do andar de cima e depois desceu as escadas para o rés-do- chão. Procurou primeiro na cozinha, depois na biblioteca, na casa de banho e finalmente na sala comum, que era a maior divisão da casa. A luz branca da lua que entrava pelas grandes janelas dava-lhe um ar funesto e arrepiante. Manuel entrou e parecia-lhe tudo diferente, desde a primeira vez que tinha estado na sala, quando chegou durante o dia. Agora tudo aquilo lhe parecia misterioso. Viu então, encostados à parede perto da lareira, três estátuas em tamanho natural, Manuel pensou muito intrigado como foi possível ele não ter visto as estátuas quando esteve ali esta tarde. Caminhando na sua direcção, verificou perplexo, que as estátuas eram esqueletos. Aproximou-se mais para ver melhor, averiguou que eles estavam armados: um tinha uma lança, outro, um grande machado e o terceiro, uma espada. Manuel esquecera-se completamente dos fantasmas. Ficou completamente hipnotizado pelos esqueletos, porém, havia algo neles de tenebroso que o deixava receoso de se aproximar mais. Manuel, para ver um pouco melhor, debruçou-se sobre uma mesinha de apoio, existente no local e nesse preciso momento, é-lhe lançado um terrível golpe de machado…

segunda-feira, 16 de março de 2015



 O orgulho é a certeza emotiva da grandeza própria. A vaidade é a certeza emotiva de que os outros vêem em nós, ou nos atribuem, tal grandeza. Os dois sentimentos nem necessariamente se conjugam, nem por natureza se opõem. São diferentes mas conjugáveis.

O orgulho, quando existe só, sem acrescentamento de vaidade, manifesta-se, no seu resultado, como timidez: quem se sente grande, porém não confia em que os outros o reconheçam por tal, receia confrontar a opinião que tem de si mesmo com a opinião que os outros possam ter dele.

A vaidade, quando existe só, sem acrescentamento de orgulho, o que é possível porém raro, manifesta-se, no seu resultado, pela audácia. Quem tem a certeza de que os outros vêem nele valor nada receia deles. Pode haver coragem física sem vaidade; pode haver coragem moral sem vaidade; não pode haver audácia sem vaidade. E por audácia se entende a confiança na iniciativa. A audácia pode ser desacompanhada de coragem, física ou moral, pois estas disposições da índole são de ordem diferente, e com ela incomensuráveis.

Alguns textos autobiográficos ou filosóficos de Fernando Pessoa, do seu livro do desassossego, continuam me deslumbrando. Não resisto à tentação de transcrever alguns!

quinta-feira, 12 de março de 2015




"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessoa; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê!"
 Florbela Espanca

terça-feira, 10 de março de 2015



Deus criou-me para criança, e deixou-me sempre criança. Mas porque deixou que a Vida me batesse e me tirasse os brinquedos e me deixasse só no recreio, amarrotando com as mãos tão fracas o bibe azul sujo de lágrimas compridas? Se eu não poderia viver senão acarinhado, por que deitaram fora o meu carinho? Ah, cada vez que vejo nas ruas uma criança a chorar, uma criança exilada dos outros, dói-me mais que a tristeza da criança o horror desprevenido do meu coração exausto…

Fernando Pessoa  em: O Livro do Desassossego.

domingo, 8 de março de 2015



"A velhice começa quando as lembranças são mais fortes que a esperança."
 Provérbio Hindu






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